Dia 12/09/2007
00:30 - Piratas do Caribe 3 termina, é servido um lanche, café com leite, queijo e presunto, um pãozinho com geléia de morango, suco de laranja ou refrigerante, iogurte e um mini panetone para lá de ressecado. Neste momento estamos deixando para trás cidade de Palma de Mallorca na Espanha.
01:00 - Quase todos os passageiros estão acordados, as crianças manifestam visível desconforto com a longa viagem. Olho para o mapa na tela acima de minha cabeça, várias cidades estão em destaque, fico imaginando como estará o clima em Valência, Barcelona, Marselha, Moscou, Cairo, entre outras.
01:30 - Somos avisados para os preparativos de pouso em Milão, o tempo está nublado e a temperatura no solo é de 16º c, apesar dos avisos para desligar os aparelhos eletrônicos muitos tiram fotos, o que deixa a tripulação da Alitália bastante irritada.
02:02 - Na hora prevista tocamos o solo de Malpensa em Milão. Fiquei desapontado com este aeroporto, descemos por uma velha escada metálica e somos levados por um ônibus não muito novo, na entrada da imigração um grande cão pastor nos recebe para farejar drogas. No grande salão de desembarque há um pouco de confusão, mas nada que não possa ser contornado após 20 minutos, procuro informações sobre o vôo 786 com destino a Narita, ainda tenho de achar o portão de embarque.
03:00 - Continuo sem ter a confirmação do portão de embarque, não dormi nada durante o vôo mas ainda não sinto sono. Fiquei passeando pela área internacional do aeroporto (bastante limitada, diga-se de passagem), achei melhor não tentar sair, primeiro por que não tenho visto italiano, e mesmo que minha saída fosse permitida, Milão é muito cara, fora o risco de perder a conexão para o Japão. Dentro de Malpensa existe uma pequena botique dedicada à Ferrari, tudo custa os olhos da cara, uma jaqueta sofrível 250 euros, camisetas 50 euros, nem perguntei pelo preço de uma ferrari em miniatura exposta na vitrine, ou das cópias dos capecetes antigos. Faltam ainda 7horas para minha partida rumo à Tóquio, resolvi sair para procurar postais e uma agência do correio. Olhando para os bancos ao meu redor, à minha esquerda vejo três mulheres usando burkas, um grupo de 4 chineses ou japoneses bem à frente, não consigo distinguir que idioma eles falam. O grupo de brasileiros que irá para Nagoya comigo, acaba de encontrar-me e ficamos batendo papo para espantar o sono.
04:00 Fiz um lanche rápido, latinha de seven up, fatia de pizza margerita e um doce que parece ser chantily com framboesa (eu acho), paguei 6,90 (é caro, mas comparando com os outros locais, fiz economia). Infelizmente não encontrei nenhum loja que venda postais, e mesmo que encontrasse não haveria correio, então o negócio é mandar do Japão mesmo.
06:30 - Um dos integrantes do grupo saiu para comprar euros e poder fazer um lanche, ele só possuía reais e yenes, curiosamente não quiserem trocar yenes por euros, mas aceitaram os reais. Mesmo assim o cara foi assaltado, fizeram a cotação na base de 4 reais para 1 euro, no Brasil eu paguei 2,80 para cada euro.
07:30 - Estou começando a perder a partida para o sono, afinal já estou acordado a 24 horas seguidas. Começo a andar para lá e para cá, evito de sentar, pois aí certamente cairei no sono. Faltam duas horas para a partida e a Alitália ainda não confirmou o portão de embarque. A voz feminina do altofalante do aeroporto tem um sotaque de Inglês mafioso, será que ela é parente do Al Pacino?
09:30 - Estou em frene ao portão B54, esperando a chamada para o vôo 786 com destino à Narita, a taxa para tomar banho era 10 euros, então desisti e apenas troquei de camisa, è feita a chamada final, primeiro em Italiano, depois em Japonês e por fim em Inglês, rapidamente umas 50 pessoas se apresentam. Desta vez meu assento será o 42 B, quase na janela, um pouco atrás da asa esquerda, o avião será do mesmo modelo que me trouxe à Milão, um 777-2000.
09:40 - Após passar 8 horas em Malpensa estou exausto, já estou acordado a 26 horas, mas luto para ficar acordado pelo menos até a decolagem. De São Paulo a Milão foram 9500 km, faltam agora mais 9700 km até chegar ao Japão, mais uma vez 11 horas de vôo.
10:20 - Com 20 minutos de atraso chegamos à cabeceira da pista, ronco alto nas duas turbinas, corpo sendo projetado para trás, paisagem passando velozmente ao meu lado, decolagem suave e a jornada continua, conforme a nave sobe, minhas pálpebras descem, como diria Hommer Simpson, vou meditar sobre o assunto zzzzzzzzz.....
11:35 - Acabamos de chegar ao limite do território alemão, acordo na hora exata em que é servido o jantar, peço um franguinho que vem acompanhado de arroz (ao estilo Japonês, em blocos) , cenoura, uma verdura esquisitíssima e fria, e uma pequena posta de peixe (ainda me lembra a do filme O Piloto Sumiu), de sobremesa lima da pérsia e uma fruta verde, será que é uma homenagem ao Brasil? Como o arroz está muito "unido" resolvi comer de hachi, os dois japoneses sentados ao meu lado, se perceberam minha dificulade, nada comentaram.
11:50 - Estamos sobrevoando o mar báltico, mais precisamente entre as cidades de Visby e Gdansk, sentimos turbulência por 1 minuto, subimos agora para 10700 m, voamos a 920 km/h, e a temperatura externa está em -55º c.
12:10 - Após analisar as opções cinematográficas resolvo assirtir irmão urso em espanhol.
12:30 - Estamos em curso direto para São Petesburgo, à nossa esquerda encontram-se Helsinque e Estocolmo, à nossa direita Minsk e Riga, pegamos um vento de cauda com 35 km/h, aumentamos a velocidade para 970 km/h e subimos para 12000 m, agora a temperatura bateu na casa dos -60º c, em 30 minutos deveremos deixar o mar báltico.
13:00 - Estamos passando ao largo de São Petesburgo, assistindo Irmão Urso pela primeira vez, descubro que o pequeno urso tem o nome da cidade para onde estou indo, Kodha. Aos poucos começamos a fazer uma suave correção na rota, uma grande curva à direita, parece que atravessaremos o coração da Rússia e evitaremos de passar sobre a China e a Coréia, Tóquio encontra-se a 7650 km de sitância.
15:00 - Uns 15 minutos atrás cruzamos os montes urais, uma imponente cordilheira situada no extremo norte da Rússia, não consigo deixar de pensar nas cenas do filme Raposa de Fogo com Clint Eastwood, se minha geografia não estiver equivocada, deveremos estar sobrevoando as planícies siberianas. Começamos a fazer nova correção de rota á direita, neste curso passaremos pela pontinha da China e seu mar territorial. O mapa do avião confirma minhas suspeitas estamos sobre a Sibéria, tento avistar algo no solo, mas uma grossa camada de nuvens me impede, vou tentar dormir mais um pouco.
17:30 - Tentei dormir mas só o consegui por uma hora, fiquei fuçando as opções de meu console na poltrona, joguei algumas partidas de Boliche, Solitário, Space Invaders etc. Também descobri que poderia ligar para o Brasil através do celular de bordo, usando o controle remoto multi função, mas como não tenho cartão de crédito internacional, desisto da idéia. Estamos muito próximos do espaço aéreo chinês e o sol já nasceu, estou com preguiça de calcular o fuso local, mas acho que devem ser umas 06:00 da manhã.
17:45 - Estamos agora sobre um vazto planalto que se extende da China à Mongólia, acabamos de bater nosso recorde de velocidade, 1024 km/h, mesmo assim, não notei diferença no som ou senti qualquer tipo de trepidação, esta aeronave apesar de grande é muito suave. Como eu imaginava estamos evitando de sobrevoar a Coréia, vai saber, pode ter um cara com o dedo meio nervoso lá em embaixo, e a Coréia atualmente está armada até os dentes.
18:00 - Comecei a assistir o último filme à bordo 13 homens e mais um segredo, mas deixei de prestar atenção em vários momentos, hora pelo cansaço, hora pela ansiedade da chegada a o Japão, nem sei dizer se o filme é bom ou não.
19:30 - As luzes da cabine se acendem e é iniciado o trabalho de servir o café da manhã, queijo, presunto, iogurte, requeijão, um pãozinho com geléia de cereja, leite e café ou chá ou suco de laranja, além daquele panetone ressecado (parece que é padrão da Alitália). Em Tóquio já são 07:30 da manhã do dia 13/09, mas no Brasil ainda estamos no dia 12/09 às 19:30, é um típico Star Trek, viajei no tempo viajando bem rápido.
20:00 - Estamos sobrevoando o mar que separa a China do Japão, faltam uns 50 minutos para o pouso em Narita. As bandejas usadas pelos passsageiros começam a ser recolhidas.
20:30 - Chegamos ao solo japonês, mais precisamente sobre a cidade de Niigata, onde mês passado ocorreu um violento terremoto, e a água da maior usina nuclear vazou do reator. Já percorremos de Milão até aqui 9400 km, o pequeno grupo de Ucranianos já está de pé, o mais agitado parece ser o senhor com agasalho esportivo azul, onde se vê em destaque as letras amarelas Ukraine. Todos do grupo brasileiro resolveram desembarcar juntos para o caso de haver algum problema na imigração, um rapaz mais veterano em vindas ao Japão, nos auxilia a preencher o documento de entrada no País, entregue 5 minutos atrás.
21:05 - Fazemos uma longa e suave aproximação de Tóquio, o som das turbinas torna-se mais grave, descemos para 5000 m e a temperatura externa subiu para 0º c.
21:22 - É dado o aviso para que tripulantes e passageiros preparem-se para o pouso, de minha janela vejo uma fina camada de nuvens sobre Tóquio, vários navios cruzam o mar abaixo de nós. O mapa da ilha de Honshu (a principal do arquipélago japonês), está focado nas cidades de Nagoya, Shizuoka, Yokohama e Hamamatsu.
21:25 - Nossa velocidade caiu para 460 km/h e estamso a 1800 m de altitude, agora fazemos uma curva bem acentuada à direita, quando o avião torna a ficar nivelado, avisto o delta de um rio imponente, tabém merecem destaque um longa praia, depois as casas, muitas plantações, alguns prédios e fábricas, tudo cortado por várias estradas, estamos quase lá.
21:30 - Surpreendemente vejo muitas áreas agrícolas nos subúrbios de Tóquio, o Japão não tem o espaço de sobra como no Brasil, aqui se for possível eles plantam uma árvore em cima da outra.
21:31 - Tocamos o solo japonês, flaps erguidos, reverso acionado, a tripulação nos dá as boas vindas em Italiano, Inglês e Japonês, agora tenho de passar pela imigração e depois pegar a bagagem, para enfim buscar o contato da empreiteira Suri-emu, e fazer o check in para Nagoya.
22:00 - Passei bem rápido pela imigração. apesar de muitos passageiros, havia muitos atendentes, a única pergunta que me fizeram era se eu era Sansei (neto de japonese), um cara do grupo ficou meio nervoso e quase se atrapalhou, era a primeira vez dele aqui, e não falava nada além de Português. Minhas malas chegaram bem, um do grupo teve uma bagagem extraviada, mas ele tem parentes aqui no Japão então está mais tranquilo.
22:05 - Fazemos o check in para Nagoya e temos muito tempo livre para conhecer Narita, o aeroporto é imenso e dividido em dois terminais, existe uma linha de ônibus para levar as pessoas de um extremo ao o outro No terminal internacional, existe uma escada rolante que permite acesso ao metrô de Tóquio, gente organizada é outro negócio, existe uma estação de metro debaixo do aeroporto. Nosso contato da Suri-emu auxilia nos trãmites locais, nos mostra como usar o cartão telefônico para ligar para o Brasil, e ruma para receber novos trabalhadores que estão chegando.
21:50 - Faço um lanche no Mac Donalds, com a ajuda de um amigo do grupo que fala Japonês, o preço que paguei foi igualzinho ao do Brasil, para quem pensava que tudo em Tóquio seria mais caro, fiquei supreso. Comprei um conjunto de 8 postais do monte Fujyama pagando 500 ienes (uns 9 reais) , de brinde recebi um par de Hashi na cor azul.
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário