sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Em solo japonês

Dia 13/09

01:00 - Passeamos por Narita mas ninguém se atreveu a comprar nada. Liguei para o Brasil avisando que cheguei bem, falei com minha irmã e minha tia, infelizmente não consegui falar com meu amigo Douglas em Sp, seu fone estava com defeito, apesar da distância fiquei pasmo com a qualidade da ligação, era como se falasse com uma pessoa a 1 metro de distância.

02:00 - Estou em frente à sala de embarque para os vôos domésticos de Narita, ainda faltam 90 minutos para decolarmos, uma vez mais o sono tenta alcançar-me, tenho fugido dele nas últimas 40 horas mas não é fácil continuar neste ritmo.

03:40 – Entramos no avião que nos levará a Nagoya, vôo Jl 3085 da Jal, é um 737-200 ou modelo equivalente, deve comportar umas 100 pessoas mas não está lotado, fiquei na poltrona 23K, finalmente consegui uma janela, situada no lado direito da nave um pouco atrás da asa., as últimas malas (bagagens não pessoas) estão chegando.

03:50 – São feitas as boas vindas em Inglês e Japonês, portas cerradas e nave sendo rebocada para começar a taxiar. Tiro minha última foto dentro de um avião, uma fila de naves ruma para decolar e estamos na terceira posição.

03:55 – Estamos na cabeceira da pista, aguardamos a permissão de decolar, um lindo 747 azul da KLM acaba de passar por cima de nós e pousa suavemente, permissão concedida, corrida iniciada, Narita passa velozmente pela minha janela, subimos, Tóquio ficou para trás.

04:10 – Olhando para o solo vejo muitas plantações nos subúrbios de Tóquio, um rio imponente desagua calmamente no oceano. Fazemos uma acentuada curva à direita. Estamos acima do fino cobertor branco de nuvens, nova correção de rota à direita, através de um buraco nas nuvens vejo dois grandes rios “abraçando-se” até tornarem-se um só. Bem ao longe, um conjunto de picos destaca-se acima das nuvens.

04:25 – São servidas as bebidas de praxe, mas não peço nada, tomei vários copos e garrafinhas de suco em Narita enquanto esperávamos.

04:40 – As nuvens vão ficando mais densas, perdi contato visual com o solo, acredito que aqui esteja chovendo.

04:50 - Iniciamos os preparativos de descida, furamos a barreira de nuvens, áreas verdes misturam-se com as construções, a seguir um belo estádio com refletores, sobrevoamos o centro de Nagoya, vejo dois grandes rios correndo paralelamente, sobre eles dezenas de pontes, as rodovias apresentam fluxo intenso mas sem retenções, novamente perco contato visual com o solo.

04:55 - Estamos agora sobre o mar, vejo uma dezena de cargueiros e navios de grande porte, as águas estão calmas, praticamente sem ondas. Tocamos o solo de Nagoya, flaps e reverso atuando, andamos calmamente pela pista, uma típica garoa paulistana me recebe, finalmente cheguei ao último aeroporto da jornada, mas ainda terei de viajar de carro para Okazaki.

05:00 – Saio por um corredor imenso, este aeroporto é quase tão grande quanto o de Narita, ele foi construído sobre um aterro feito no mar, da mesma forma que Santos Dumont no Rio de Janeiro, porém de escala e conforto beeeeem superiores. Nosso grupo de 8 pessoas se desfaz, cada empreiteira recebe seus novos contratados, trocamos os emails e telefones para que possamos manter contato. Verifico que minha mochila teve o cadeado forçado, o que acabou quebrando a alça do zíper, isso aconteceu entre Narita e Nagoya, em Tóquio estava perfeito, mas aparentemente não falta nada na bagagem.

06:30 – Chegamos a Okazaki, faço umas compras básicas (produtos de limpeza, higiene, alguma comida e um lanche do mac donald´s, gasto meus primeiros 3000 ienes, algo em torno de 50 reais, o contato da empreiteira me ajuda, se não fosse por ele cometeria minha primeira gafe, no Japão não podemos abrir as embalagens para ver seu conteúdo, olhando bem as coisas por aqui são mais baratas que eu pensava, os preços estão claramente expressos em numeração arábica o difícil é ler os rótulos. Após 48 hoas de viagens aéreas, terrestres e conexões em aeroportos estou exausto, mas ainda tenho de me apresentar no escritório da empreiteira, tirar as xerox dos documentos e receber a chave do apartamento.

07:30 – Formalidades cumpridas, eles sabem que aqueles que chegam do Brasil estão um farrapo, o negócio agora é comer e dormir, não necessariamente nesta ordem.

08:30 – Estou em casa, já coloquei as malas num canto, recebo algumas explicações de como funcionam as coisas por aqui (especialmente o chuveiro a gás e a máquina de lavar roupa), a pessoa que divide o apartamento comigo ainda não chegou do trabalho, como meu lanche (agora frio) do mac donald´s, conto até 1 e caio nos braços de morfeu.

Acordei no Japão

17:30 – No Brasil ainda estaria no dia 13/09, mas aqui no Japão já estou na manhã do 14/09, olho da janela do meu apartamento, avisto outros prédios idênticos, um conjunto de casas, uma concessionária de veículos, para os padrões japoneses moro num apartamento grande, são 3 quartos, cozinha e banheiro, um detalhe, aqui a latrina e o local para banho são aposentos separados. Moro no quarto e último andar do prédio, então posso dizer que estou na cobertura.

18:20 – De forma bem tímida o sol me recebe, as nuvens teimam em mandar uma chuva tênue, em alguns pontos o céu azul começa a vazar as nuvens, uma ave que não consigo identificar canta alegremente, escondida pelas folhas de uma árvore bem na frente da minha janela. Começo a desfazer minhas malas, por volta das 12:00 (hora local) uma pessoa virá buscar-me para ir à prefeitura e fazer os exames médicos.

20:30 – Acabei de desfazer as malas, sento no chão do meu quarto, que é forrado por um tatame parecido com uma esteira de praia, ponho a mão no bolso retiro uma moedinha de 10 ienes, outra de 100 ienes, reparo na porta corrediça de meu armário, subitamente uma lembrança de infância invade minha mente. Volto 36 anos no tempo, quando assistia ao desenho animado as aventuras de super dínamo, num dos episódios (que eu tenho gravado em VHS), a irmãzinha do herói perde sua moedinha de 10 ienes (não é possível comprar nada aqui com isso), mas a menininha está triste com a perda de sua “fortuna”, seu irmão ajuda a procurar e não acha nada, então resolve deixar uma moedinha dele no quarto da menina sem que ela perceba, mas o garoto é meio avoado e acaba coloncando uma moeda de 100 para a irmã, quando ela encontra a nova moeda fica felicíssima por estar “rica”, seu irmão, por outro lado, fica fulo da vida por ter entregue mais dinheiro que ela perdeu. Não tenho como não deixar de reparar quão irônica a vida consegue ser, estou agora no Japão, vivendo uma cena de um animê da minha infância, sinto-me como o menino Mitsuo, por via das dúvidas olho para a janela novamente, realmente nenhum Godzila caminha nas ruas, nenhum herói gigante usando colant vermelho corta os céus. Bom eu só olhei para tirar a dúvida, vai saber se outra de minhas lembranças de infância estivesse se materializando.

21:00 – Ligo a tv, encontro uma porção de programas de auditório, tipo gincana de perguntas / respostas, outra coisa comum são os programas de culinária, alguns noticiários, ponho em ordem os papéis e anotações que fiz para quando tiver um computador e publicar um blog. Tomo um banho e faço a barba, como eu precisava disso, por último reúno os documentos e preparo-me para a rotina burocrática da chegada.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Segundo dia de viagem

Dia 12/09/2007

00:30 - Piratas do Caribe 3 termina, é servido um lanche, café com leite, queijo e presunto, um pãozinho com geléia de morango, suco de laranja ou refrigerante, iogurte e um mini panetone para lá de ressecado. Neste momento estamos deixando para trás cidade de Palma de Mallorca na Espanha.

01:00 - Quase todos os passageiros estão acordados, as crianças manifestam visível desconforto com a longa viagem. Olho para o mapa na tela acima de minha cabeça, várias cidades estão em destaque, fico imaginando como estará o clima em Valência, Barcelona, Marselha, Moscou, Cairo, entre outras.

01:30 - Somos avisados para os preparativos de pouso em Milão, o tempo está nublado e a temperatura no solo é de 16º c, apesar dos avisos para desligar os aparelhos eletrônicos muitos tiram fotos, o que deixa a tripulação da Alitália bastante irritada.

02:02 - Na hora prevista tocamos o solo de Malpensa em Milão. Fiquei desapontado com este aeroporto, descemos por uma velha escada metálica e somos levados por um ônibus não muito novo, na entrada da imigração um grande cão pastor nos recebe para farejar drogas. No grande salão de desembarque há um pouco de confusão, mas nada que não possa ser contornado após 20 minutos, procuro informações sobre o vôo 786 com destino a Narita, ainda tenho de achar o portão de embarque.

03:00 - Continuo sem ter a confirmação do portão de embarque, não dormi nada durante o vôo mas ainda não sinto sono. Fiquei passeando pela área internacional do aeroporto (bastante limitada, diga-se de passagem), achei melhor não tentar sair, primeiro por que não tenho visto italiano, e mesmo que minha saída fosse permitida, Milão é muito cara, fora o risco de perder a conexão para o Japão. Dentro de Malpensa existe uma pequena botique dedicada à Ferrari, tudo custa os olhos da cara, uma jaqueta sofrível 250 euros, camisetas 50 euros, nem perguntei pelo preço de uma ferrari em miniatura exposta na vitrine, ou das cópias dos capecetes antigos. Faltam ainda 7horas para minha partida rumo à Tóquio, resolvi sair para procurar postais e uma agência do correio. Olhando para os bancos ao meu redor, à minha esquerda vejo três mulheres usando burkas, um grupo de 4 chineses ou japoneses bem à frente, não consigo distinguir que idioma eles falam. O grupo de brasileiros que irá para Nagoya comigo, acaba de encontrar-me e ficamos batendo papo para espantar o sono.

04:00 Fiz um lanche rápido, latinha de seven up, fatia de pizza margerita e um doce que parece ser chantily com framboesa (eu acho), paguei 6,90 (é caro, mas comparando com os outros locais, fiz economia). Infelizmente não encontrei nenhum loja que venda postais, e mesmo que encontrasse não haveria correio, então o negócio é mandar do Japão mesmo.

06:30 - Um dos integrantes do grupo saiu para comprar euros e poder fazer um lanche, ele só possuía reais e yenes, curiosamente não quiserem trocar yenes por euros, mas aceitaram os reais. Mesmo assim o cara foi assaltado, fizeram a cotação na base de 4 reais para 1 euro, no Brasil eu paguei 2,80 para cada euro.

07:30 - Estou começando a perder a partida para o sono, afinal já estou acordado a 24 horas seguidas. Começo a andar para lá e para cá, evito de sentar, pois aí certamente cairei no sono. Faltam duas horas para a partida e a Alitália ainda não confirmou o portão de embarque. A voz feminina do altofalante do aeroporto tem um sotaque de Inglês mafioso, será que ela é parente do Al Pacino?

09:30 - Estou em frene ao portão B54, esperando a chamada para o vôo 786 com destino à Narita, a taxa para tomar banho era 10 euros, então desisti e apenas troquei de camisa, è feita a chamada final, primeiro em Italiano, depois em Japonês e por fim em Inglês, rapidamente umas 50 pessoas se apresentam. Desta vez meu assento será o 42 B, quase na janela, um pouco atrás da asa esquerda, o avião será do mesmo modelo que me trouxe à Milão, um 777-2000.

09:40 - Após passar 8 horas em Malpensa estou exausto, já estou acordado a 26 horas, mas luto para ficar acordado pelo menos até a decolagem. De São Paulo a Milão foram 9500 km, faltam agora mais 9700 km até chegar ao Japão, mais uma vez 11 horas de vôo.

10:20 - Com 20 minutos de atraso chegamos à cabeceira da pista, ronco alto nas duas turbinas, corpo sendo projetado para trás, paisagem passando velozmente ao meu lado, decolagem suave e a jornada continua, conforme a nave sobe, minhas pálpebras descem, como diria Hommer Simpson, vou meditar sobre o assunto zzzzzzzzz.....

11:35 - Acabamos de chegar ao limite do território alemão, acordo na hora exata em que é servido o jantar, peço um franguinho que vem acompanhado de arroz (ao estilo Japonês, em blocos) , cenoura, uma verdura esquisitíssima e fria, e uma pequena posta de peixe (ainda me lembra a do filme O Piloto Sumiu), de sobremesa lima da pérsia e uma fruta verde, será que é uma homenagem ao Brasil? Como o arroz está muito "unido" resolvi comer de hachi, os dois japoneses sentados ao meu lado, se perceberam minha dificulade, nada comentaram.

11:50 - Estamos sobrevoando o mar báltico, mais precisamente entre as cidades de Visby e Gdansk, sentimos turbulência por 1 minuto, subimos agora para 10700 m, voamos a 920 km/h, e a temperatura externa está em -55º c.

12:10 - Após analisar as opções cinematográficas resolvo assirtir irmão urso em espanhol.

12:30 - Estamos em curso direto para São Petesburgo, à nossa esquerda encontram-se Helsinque e Estocolmo, à nossa direita Minsk e Riga, pegamos um vento de cauda com 35 km/h, aumentamos a velocidade para 970 km/h e subimos para 12000 m, agora a temperatura bateu na casa dos -60º c, em 30 minutos deveremos deixar o mar báltico.

13:00 - Estamos passando ao largo de São Petesburgo, assistindo Irmão Urso pela primeira vez, descubro que o pequeno urso tem o nome da cidade para onde estou indo, Kodha. Aos poucos começamos a fazer uma suave correção na rota, uma grande curva à direita, parece que atravessaremos o coração da Rússia e evitaremos de passar sobre a China e a Coréia, Tóquio encontra-se a 7650 km de sitância.

15:00 - Uns 15 minutos atrás cruzamos os montes urais, uma imponente cordilheira situada no extremo norte da Rússia, não consigo deixar de pensar nas cenas do filme Raposa de Fogo com Clint Eastwood, se minha geografia não estiver equivocada, deveremos estar sobrevoando as planícies siberianas. Começamos a fazer nova correção de rota á direita, neste curso passaremos pela pontinha da China e seu mar territorial. O mapa do avião confirma minhas suspeitas estamos sobre a Sibéria, tento avistar algo no solo, mas uma grossa camada de nuvens me impede, vou tentar dormir mais um pouco.

17:30 - Tentei dormir mas só o consegui por uma hora, fiquei fuçando as opções de meu console na poltrona, joguei algumas partidas de Boliche, Solitário, Space Invaders etc. Também descobri que poderia ligar para o Brasil através do celular de bordo, usando o controle remoto multi função, mas como não tenho cartão de crédito internacional, desisto da idéia. Estamos muito próximos do espaço aéreo chinês e o sol já nasceu, estou com preguiça de calcular o fuso local, mas acho que devem ser umas 06:00 da manhã.

17:45 - Estamos agora sobre um vazto planalto que se extende da China à Mongólia, acabamos de bater nosso recorde de velocidade, 1024 km/h, mesmo assim, não notei diferença no som ou senti qualquer tipo de trepidação, esta aeronave apesar de grande é muito suave. Como eu imaginava estamos evitando de sobrevoar a Coréia, vai saber, pode ter um cara com o dedo meio nervoso lá em embaixo, e a Coréia atualmente está armada até os dentes.

18:00 - Comecei a assistir o último filme à bordo 13 homens e mais um segredo, mas deixei de prestar atenção em vários momentos, hora pelo cansaço, hora pela ansiedade da chegada a o Japão, nem sei dizer se o filme é bom ou não.

19:30 - As luzes da cabine se acendem e é iniciado o trabalho de servir o café da manhã, queijo, presunto, iogurte, requeijão, um pãozinho com geléia de cereja, leite e café ou chá ou suco de laranja, além daquele panetone ressecado (parece que é padrão da Alitália). Em Tóquio já são 07:30 da manhã do dia 13/09, mas no Brasil ainda estamos no dia 12/09 às 19:30, é um típico Star Trek, viajei no tempo viajando bem rápido.

20:00 - Estamos sobrevoando o mar que separa a China do Japão, faltam uns 50 minutos para o pouso em Narita. As bandejas usadas pelos passsageiros começam a ser recolhidas.

20:30 - Chegamos ao solo japonês, mais precisamente sobre a cidade de Niigata, onde mês passado ocorreu um violento terremoto, e a água da maior usina nuclear vazou do reator. Já percorremos de Milão até aqui 9400 km, o pequeno grupo de Ucranianos já está de pé, o mais agitado parece ser o senhor com agasalho esportivo azul, onde se vê em destaque as letras amarelas Ukraine. Todos do grupo brasileiro resolveram desembarcar juntos para o caso de haver algum problema na imigração, um rapaz mais veterano em vindas ao Japão, nos auxilia a preencher o documento de entrada no País, entregue 5 minutos atrás.

21:05 - Fazemos uma longa e suave aproximação de Tóquio, o som das turbinas torna-se mais grave, descemos para 5000 m e a temperatura externa subiu para 0º c.

21:22 - É dado o aviso para que tripulantes e passageiros preparem-se para o pouso, de minha janela vejo uma fina camada de nuvens sobre Tóquio, vários navios cruzam o mar abaixo de nós. O mapa da ilha de Honshu (a principal do arquipélago japonês), está focado nas cidades de Nagoya, Shizuoka, Yokohama e Hamamatsu.

21:25 - Nossa velocidade caiu para 460 km/h e estamso a 1800 m de altitude, agora fazemos uma curva bem acentuada à direita, quando o avião torna a ficar nivelado, avisto o delta de um rio imponente, tabém merecem destaque um longa praia, depois as casas, muitas plantações, alguns prédios e fábricas, tudo cortado por várias estradas, estamos quase lá.

21:30 - Surpreendemente vejo muitas áreas agrícolas nos subúrbios de Tóquio, o Japão não tem o espaço de sobra como no Brasil, aqui se for possível eles plantam uma árvore em cima da outra.

21:31 - Tocamos o solo japonês, flaps erguidos, reverso acionado, a tripulação nos dá as boas vindas em Italiano, Inglês e Japonês, agora tenho de passar pela imigração e depois pegar a bagagem, para enfim buscar o contato da empreiteira Suri-emu, e fazer o check in para Nagoya.

22:00 - Passei bem rápido pela imigração. apesar de muitos passageiros, havia muitos atendentes, a única pergunta que me fizeram era se eu era Sansei (neto de japonese), um cara do grupo ficou meio nervoso e quase se atrapalhou, era a primeira vez dele aqui, e não falava nada além de Português. Minhas malas chegaram bem, um do grupo teve uma bagagem extraviada, mas ele tem parentes aqui no Japão então está mais tranquilo.

22:05 - Fazemos o check in para Nagoya e temos muito tempo livre para conhecer Narita, o aeroporto é imenso e dividido em dois terminais, existe uma linha de ônibus para levar as pessoas de um extremo ao o outro No terminal internacional, existe uma escada rolante que permite acesso ao metrô de Tóquio, gente organizada é outro negócio, existe uma estação de metro debaixo do aeroporto. Nosso contato da Suri-emu auxilia nos trãmites locais, nos mostra como usar o cartão telefônico para ligar para o Brasil, e ruma para receber novos trabalhadores que estão chegando.

21:50 - Faço um lanche no Mac Donalds, com a ajuda de um amigo do grupo que fala Japonês, o preço que paguei foi igualzinho ao do Brasil, para quem pensava que tudo em Tóquio seria mais caro, fiquei supreso. Comprei um conjunto de 8 postais do monte Fujyama pagando 500 ienes (uns 9 reais) , de brinde recebi um par de Hashi na cor azul.

O início da jornada

Dia 11/09/2007

02:00 - Will, Cobbi, Douglas e Eu jogamos conversa fora, a noite está fria e mesmo assim ficamos no terraço da cobertura onde fizemos aquele inesquecível churrasco, acompanhado de muuuuuito rpg, ah bons tempos. O cansaço vai nos derrotando um a um, e resolvemos descansar um pouco.

07:30 - Acordo, faço a barba, tomo banho e tiro as últimas fotos com os amigos, embora o vôo esteja marcado para as 15:15, foi determinado que o grupo deverá apresentar-se no guichê da Alitalia até as 11:00 horas, para que recebam passagem, passaporte, visto, cartões de embarque e possam fazer o check in.

09:30 - Douglas e Bruno Cobbi levam-me até Guarulhos, felizmente o trânsito pelas marginais encontra-se bem tranquilo, meu santo é forte, está uma linda manhã ensolarada.

10:40 - Espéravamos levar 90 minutos para chegar ao aeroporto, mas gastamos apenas 70, rumamos para o guichê da Alitália e aproveito para pesar as malas, surpreendentemente, estão bem mais leves do que acreditava. Uma pequena fila encontra-se no guichê, resolvemos esperar mais um pouco, em 20 minutos a fila acaba.

11:30 - Após fazer o check in, passeamos pelo aeroporto, Bruno Cobbi começa a ser "amistoso" com todas as recepcionistas por onde passamos, Mac Donalds, Baked Potate, as meninas com as plaquinas das companhias aéreas. Paramos para tomar uma bebida, compramos canetas e cheveiros de um senhor surdo / mudo, Bruno Cobbi passa perto de uma mesa com vários japoneses idosos e ele os encara, todos encaram de volta, será que há alguém da Yakuza ali? Por via das dúvidas empurramos Bruno Cobbi para outra mesa.

12:00 - Recebo minhas passagens, passaporte, visto, cartões de embarque e instruções de viagem, agora tenho de esperar a reunião final com o contato da empreiteira japonesa aqui no Brasil, será por volta das 13:00 horas, em frente ao La Selva.

13:00 - No horário previsto estou reunido com um grupo de 8 pessoas que irão viajar até a cidade de Nagoya, dúvidas do grupo sanadas, somos informados de que o embarque será pelo portão 9, e o horário limite para isso será até as 14 horas.

14:00 - Despeço-me dos amigos Bruno e Douglas com um forte abraço, sigo pelo corredor praticamente vazio, passo pelo detetor de metais e entrego meu passaporte ao policial federal. Em frente ao portão 9 formou-se uma fila de umas 100 pessoas.

14:30 - Estou no vôo 677 poltrona 26 G, bem no centro do avião, quase sobre as asas, o modelo que nos levará é um belo 777-200, duas turbinas gigantescas, deve comportar umas 250 pessoas. Olhando ao redor na classe econômica, eu diria que uns 80% são brasileiros, nas primeiras filas destacam-se duas senhoras usando burka e um senhor de pele morena usando turbante hindu.

15:18 - O comandante avisa a todos que aguarda autorização para começar a taxiar.

15:20 - Somos rebocados para deixar a área de embarque, rumamos para cabeceira da pista. Aproximadamente 9500 km de distância me separa de Milão a previsão é gastar 11:00 horas de vôo entre as duas cidades.

15:23 - O som agudo das turbinas aumenta, aceleramos, meu corpo sente uma suave pressão de encontro à poltrona, o bico do avião perde o contato com o solo, agora são as rodas traseiras, deixamos a pista para trás, subimos de forma contínua e suave, quase como se estivéssemos num elevador.

17:00 - Acabamos de sobrevoar Recife, deixamos o Brasil e ingressamos no oceano atlântico, agora sei o que Frodo Baggins sentiu quando parou na borda do condado e seguiu viagem rumo a mordor. Estamos a 10500 m de altitude, lá fora a temperatura está marcando agradáveis -30º c, voamos a 870 km/h. Em minha poltrona acabei de assistir a um filme mediano com um grande elenco. Entre eles destaco, Mark Walberg, Donald Sutherland, Edward Norton, Charlize Theron e Seth Green.

18:00 - O jantar é servido e há duas opções, peixe ou carne, não gosto de peixe e subitamente recebo na mente as imagens do antológico filme "O Piloto Sumiu". Para acompanhar a carne temos um razoável macarrão, vagem, salada de frutas, suco de laranja ou coca-cola.

19:30 - Chegamos à África, mais precisamete pela cidade de Dakar no Senegal, subimos para 11000 m, mantemos a velocidade, a temperatura externa caiu para -40º c, zapeando pelos canais descubro que está passando 300 de esparta.

20:30 - Passamos ao largo de Casablanca no Marrocos, agora vejam como a vida é irônica, passei 10 anos de minha vida na cidade de Casa Branca em São Paulo, agora estou sobrevoando Casablanca no Marrocos, lembro-me das belíssimas imagens de Ingrid Bergman dizendo "Toque de novo Sam", mas a piada ainda não acabou, na tela do passageiro à minha direita, começa a ser exibido o filme Casablanca, com Ingrid Bergman. Bem à nossa frente está o famoso deserto do saara.

22:50 - Acabamos de cruzar o deserto, estamos sobrevoando a cidade de Tipasa (perdoem-me não sei em que país ela fica, se tivesse de chutar, eu diria Tunísia ou Argélia), agora vamos entrar no mar mediterrâneo. Acabamos de deixar o continente africano, ventos de 100 km/h ficaram para trás, começo a assistir Piratas do Caribe 3 No Fim do Mundo (seria está outra piada relacionada com o meu destino?)

23:00 - Começamos a cruzar o mediterrâneo, viajamos a 950 km/h, subimos para 13000 m, e a temperatura externa está em -50º c.

A véspera

Para facilitar a leitura e também não fundir minha cabeça, todos os horários e datas postados adotam o padrão de Brasília. Fiz uma breve revisão dos 3 dias que foram minha odisséia do Brasil ao Japão, sem mais delongas....

Dia 10/09/2007

08:00 - Acordei cedo e fiz a última verificação de minhas malas, todas as roupas, calçados e documentos guardados. Não estou com o frio na barriga que minha irmã sugere, sinto um misto de ansiedade, esperança e curiosidade, será que Marco Polo sentiu-se da mesma forma na véspera de seu embarque para a China? É verdade que ele estava com apenas 17 anos quando partiu em sua jornada, mas foi acompanhado de seu pai, 8 séculos separam nossas viagens, mas ainda assim vejo alguns pontos em comum em nossos destinos.

11:00 - Fiz um par de etiquetas para colocar na parte de fora das malas, plastifiquei-as, comprei pilhas recarregáveis, Yenes e Euros para a viagem e conexões nos aeroportos, agora vou almoçar e rumar para a minha aula de conversação de japonês.

17:00 - Assisti a última aula de conversação em Japonês, despedi-me do professor e amigos, trocamos e-mails e como a grande parte da turma pretende conhecer ou retornar ao Japão, muito em breve nos reencontraremos.

18:30 - Quase esqueci de colocar as pilhas para recarregar, sem elas as conexões nos aeroportos serão ainda mais tediosas. Estou aguardando a chegada dos amigos para a despedida do grupo de rpg, cara como vou sentir falta disso.

21:00 - Átila, César, Douglas e Will chegam para a última confraternização, após muitas piadas e sessões de fotos, vamos jantar na mansão da pizza, última chance de pegar um típico rodízio de pizzas. A vontade de comer até cair é enorme, mas amanhã terei uma viagem extremamente longa, é melhor não abusar muito.